quarta-feira, 8 de junho de 2011
A vida em espiral
O amor é um orgasmo entre duas lágrimas A lágrima é um lago rodeado de estertores O estertor é um vulcão de vento O vento é o caminho dos cantos O canto é um mistério da boca A boca é um abismo antes do peito O peito é outro abismo entre dois sangues O sangue é o motor que nutre o ato O ato é uma dança contra o tempo O tempo é o que mede espaços até então não numerados A cabeça é um nó sobre o pescoço O pescoço é como um istmo entre duas selvas A selva é o ancestral do deserto O deserto é um corpo já bebido Beber não apaga o fogo na consciência A consciência é outro relógio de areia A areia faz do cactos um rei antigo O antigo nos modela como a uma criança Uma criança é o passado dos corpos E o corpo é um combate que se perde A vida é um espaço exato entre duas mortes A morte é um espaço exato entre dois fogos O fogo é um espaço exato entre dois frios O frio é uma chama abaixo de zero O zero é o silêncio antes do número O número é o verbo matemático A matemática é o calculo da realidade A realidade é o único incrível O incrível é o que não podemos E o que não podemos é o que queremos. (Patricio Manns)
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