terça-feira, 5 de novembro de 2013

As sem-razões do amor


Carlos Drummond de Andrade

 

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

 

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

 

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

 

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Profissão professor ou adeus professor(a)?


O mundo contemporâneo está marcado pelos avanços na comunicação e na informática e por outras tantas transformações tecnológicas e científicas. Essas transformações intervêm nas várias áreas da vida social, provocando mudanças econômicas, sociais, politicas, culturais, afetando, também, as escolas e o exercício profissional da docência.

O texto aborda uma temática muito presente na vida do professor: será que com tantos meios de informação o professor ainda é necessário em sala de aula?

Somos apresentados a diversos questionamentos e pensamentos de teóricos da educação a cerca da utilização de tecnologias em sala de aula, como vídeos, apresentações multimídia, filmes, entrevistas em áudio e muitas outras formas pelas quais o educando pode absorver informações.

O professor deve utilizar essas ferramentas, mesmo correndo o risco de ser sobrepujado por elas ou por seus alunos? Sim, o professor deve utilizar-se de todos os meios disponíveis para a facilitação do processo de ensino-aprendizagem em sala de aula, pois hoje vivemos em um mundo onde a informação contida em um livro didático escrito a um ano digamos, já está em muito defasada, e o educando dificilmente se irá contentar em ficar lendo um livro ou assistindo a uma aula onde somente o professor “detêm o conhecimento”. Ambos, aluno e professor vivem em um mundo policromático, polifônico, por que então devemos relegar a segundo plano as informações, as experiências de vida de cada um em sala, cada pessoa é um universo único a ser explorado, a ser descoberto, cabe ao professor fazer a ponte entre os saberes que os alunos trazem de suas vivências, e o que os livros apresentam. O professor deixa de ser o detentor do conhecimento e converte-se em mediador, levando os alunos a pensarem criticamente seu dia-a-dia, seu impacto no mundo em que vivem, ou seja, o professor ou educador tem por missão dar uma profundidade emocional e reflexiva a todos os temas abordados em sala de aula.

Entretanto, ao se colocar tantas responsabilidades nos ombros do professor, devemos nos perguntar: estamos formando professores aptos a formarem alunos críticos, alunos capazes de ler criticamente e reflexivamente seu mundo? Ou estamos apenas formando “repassadores de conhecimento” que simplesmente repetem aquilo que tiveram de decorar na universidade, sem uma dimensão crítica dos temas e conteúdos apresentados? O aluno-professor está capacitado a utilizar os diversos meios de informação com fins de levar seus alunos a refletir sobre como eles interferem no mundo e como o mundo os afeta? Infelizmente em muitos casos as respostas são desanimadoras, pois já existem poucas pessoas que se dispõem para a licenciatura, e ao término do curso, se deparam com a dura realidade, falta de estruturas nas escolas, não valorização profissional, salas lotadas que impedem o melhor aproveitamento dos temas apresentados, são diversos problemas que o professor terá de enfrentar em sua vida de docência, pois não houve um preparo eficiente para lidar com todas as diversas situações a que estará exposto o educador.

Para que possamos formar cidadãos conscientes de seu papel ante o mundo, devemos esquecer a ideia de que a escola detém o monopólio do saber, e aceitar que a educação ocorre em muitos lugares, nos meios de comunicação, nas empresas, nos clubes, nas academias de ginástica, nos sindicatos, na família, na roda de amigos, na rua, enfim, onde quer que o aluno interaja com o outro. A escola deve deixar de ser apenas transmissora de informação pronta e transformar-se em um lugar de análises críticas da informação, onde se possibilite que o aluno atribua significado a informação que foi captada nos livros didáticos, na televisão, nos jornais, na conversa com os amigos, em vídeos. Trata-se de capacitar os alunos a selecionar informações, mas sobretudo, saber pensar de modo reflexivo.  

Nessa nova escola, o professor criará condições cognitivas e afetivas que ajudarão o aluno a atribuir significados às informações e mensagens recebidas das mídias e das variadas formas de interação urbana. Uma nova escola requer um professor capaz de ajustar-se as novas realidades do conhecimento, do aluno e dos meios de comunicação. O professor será um mediador entre o aluno e matéria apresentada, levando em consideração os conhecimentos, a experiência e os significados que os alunos trazem para a sala de aula, suas capacidades, seus modos de pensar, seus interesses. O professor propõe problemas a serem resolvidos, dialoga, questiona, ensina os alunos a argumentar e consequentemente a aprender, ao trazer para a sala os sentimentos, o pensar, a realidade vivida por cada um ali presente, ligando o conhecimento cientifico que o tema propõe com o cognições praticas, ou seja, compreender a realidade para transformá-la.

sábado, 9 de junho de 2012

Se isso não é amor, o que mais pode ser?

Tenho pensado muito em minha ex-namorada desde que nos conhecemos.  estivemos juntos por pouco tempo, mas valeu cada segundo que estive com ela. Penso muitas vezes ao dia nela, e me isso alegra, basta uma mensagem dela de bom dia para que meu dia fique mais claro, faça mais sentido.
Não sei se o mesmo pensa ela, mas a existência dela me basta.
Separamo-nos nós (é, é redundância plenonástica repetitiva mesmo) pois eu não exatamente sei demonstrar o que sinto, fomos rápido demais creio eu, nos conhecíamos a aproximadamente duas semanas, não nos havíamos encontrado pessoalmente antes de decidirmos namorar, deveríamos ter conhecido-nos mais antes de ter algo sério, mas me não arrependo-me de nada que vivi enquanto estive ao lado dela. Se gostaria de ter mais tempo estado ao lado dela como amado? sim me muito alegraria isso, mas ela estava não completamente segura acerca de que sentia, e não quis a forçar. Lembro das palavras proferidas naquele dia, disse ela que sentia que mais eu a amava que ela a mim. Bem possível isso é, embora não possa afirmar com certeza o que sentia/sinto por ela. 
Sinto por ela um mui forte carinho, quero a ter por perto, cuidar dela, muitas pessoas podem a isso chamar amor, assim defino eu também, mas como não sou especialista em lidar com meus sentimentos, não posso afirmar com certeza. 
A lógica diz que devo tentar uma vez mais com ela, retar e estar feliz ao lado dela, sempre busco respostas lógicas, entretanto estas dificilmente aplicam-se ao campo emocional.O caso é que me mui importo com ela, e isso é o que me importa e me basta.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Recebi uma ligação estranha hoje (14052012:2336) era uma garota que disse que me achou interessante e pegou o número do meu telefone com uma amiga, que suponho ser amiga minha também, vez que possui meu telefone. A tal pessoa se não quis identificar e tão pouco falar com quem conseguiu meu número.
Fato 1- talvez não tenha conseguido meu telefone com alguém mui próximo de mim, pois meus amigos mais íntimos sabem que não atendo ligações privadas;
Fato 2 - não fui informado que meu número havia sido requisitado;
Fato 3 - quem bem me conhece sabe o básico de minha vida, tipo o que faço e com quem vivo. Por isso me causou estranheza tal ligação.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Eu não Quero o Presente, Quero a Realidade

Vive, dizes, no presente,
Vive só no presente.

Mas eu não quero o presente, quero a realidade;
Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede.

O que é o presente?
É uma cousa relativa ao passado e ao futuro.
É uma cousa que existe em virtude de outras cousas existirem.
Eu quero só a realidade, as cousas sem presente.

Não quero incluir o tempo no meu esquema.
Não quero pensar nas cousas como presentes; quero pensar nelas como cousas.

Não quero separá-las de si-próprias, tratando-as por presentes.

Eu nem por reais as devia tratar.
Eu não as devia tratar por nada.

Eu devia vê-las, apenas vê-las;
Vê-las até não poder pensar nelas,
Vê-las sem tempo, nem espaço,
Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê.
É esta a ciência de ver, que não é nenhuma.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pesso